Táticas de Guerra aplicadas contra a Alienação Parental

Quem enfrenta um conflito de guarda dos filhos ou sofre com alienação parental acaba por aprender a importância da estratégia e

do planejamento. Trago um comparativo com algumas táticas de guerra, exemplos trazidos de filmes e séries de televisão, assim como sua aplicação dentro da questão jurídica familiar.

A primeira tática é a Dissimulação, a qual consiste em não mostrar todas as suas intenções e armas. É fazer parecer algo que nem sempre é real. Em guerras históricas, exércitos usaram tanques fictícios que eram infláveis, mas que vistos de longe pareciam armamentos reais. No cinema e na televisão são inúmeros os personagens que usaram muito da dissimulação e dos chamarizes. Lembro-me de de programas como Game of Thrones e Dexter.

Dentro de um conflito de guarda ou alienação parental, é muito importante saber esconder as preparações, saber ser discreto e não permitir que a outra parte descubra que está coletando provas.

A segunda tática é a Desinformação, que hoje em dia recebe o apelido de fake news. Significa que informações não verídicas podem ser enviadas discretamente ao adversário para despistar do que realmente é importante. Quantas séries e filmes de espionagens já vimos com essa estratégia?  Lembro-me de Gossip Girl, The Americans, entre outros.

No ambiente de hostilidade da alienação parental, muitas vezes o(a) alienador(a) está pesquisando se o outro trocou de carro, se foi viajar, tudo o que tem feito em sua intimidade. É preciso saber filtrar informações que possam influenciar no conflito, mas também é importante ter a perspicácia para conseguir confundir o outro quando a invasão de privacidade já ultrapassou os limites do bom-senso.

A terceira tática é o Ataque Surpresa, que nada mais é do que a concentração de forças para serem empregadas de uma só vez. O Desembarque na Normandia (Dia D) na Segunda Grande Guerra é um exemplo óbvio. Lembro do filme O Resgate do Soldado Ryan sobre esse episódio histórico. O filme brasileiro Tropa de Elite também mostra essa tática. A questão relevante é saber agir de surpresa com todas as forças para pegar o inimigo com menor capacidade de reação.

O paralelismo para o Direito de Família consiste na preparação e no ajuizamento das medidas judiciais com sigilo prévio e de uma forma única e contundente. Quando for agir, tem que se preparar e se movimentar de modo que o inimigo seja surpreendido com uma ação forte que restrinja suas defesas.

A quarta tática é a Logística de Reabastecimento, ou seja, manter a frente de combate constantemente suprida de recursos. Não adianta começar uma batalha sem que na retaguarda exista uma estrutura para abastecer o que for necessário. É pensar no longo prazo. Nas séries de televisão, vimos inúmeros personagens que criavam estruturas para se manter sempre preparados. Lembro-me de Breaking Bad, Suits, House of Cards, Billions. Já deve ter ouvido o ditado “nadou e morreu na praia”; é preciso saber o tamanho da batalha para que as forças não se esgotem antes do final.

A Logística de Reabastecimento costuma ser a tática mais negligenciada por quem enfrenta litígios familiares. Pessoas que mergulham tanto no conflito e acabam por abandonar seu próprio trabalho, relacionamentos e depois de algum tempo se veem esgotados e precisam desistir de tudo o que foi investido. Mesmo quem está afastado dos filhos por alienação parental, precisa continuar trabalhando, tendo renda e cuidando da sua saúde mental para lidar com um problema de longo prazo.

A quinta e última tática é a Adaptabilidade, também conhecida como resiliência, que nada mais é do que a capacidade de se moldar, de usar diferentes armas e rever conceitos. Na televisão, vimos inúmeros protagonistas precisando se reinventar ao longo da jornada para sobreviver e se encaixar na sua realidade. Os exemplos que me recordo estão nas séries The Walking Dead e The Last Kingdom. Saber ser flexível sem se quebrar, saber enxergar as adversidades e procurar a melhor maneira de atravessar.

No litígio familiar, a capacidade de se adaptar às situações é fundamental para uma boa avaliação pericial. É decisiva antes de iniciar uma audiência conflituosa. Ser rígido e não mudar de posição acaba se confundindo equivocadamente com firmeza e força. Muitas vezes para chegar em uma meta valiosa, fazemos alguns contornos e concessões, damos passos para trás, mas sabendo que isso faz parte da trajetória que leva ao objetivo de longo prazo.

Trouxe esse comparativo para mostrar como algumas táticas de combate e seus exemplos no cinema e televisão podem nos ajudar a aprimorar nossa maneira de pensar, podem nos dar lições valiosas de enxergar os problemas por diferentes ângulos, a pensar de forma distinta do habitual, a saber olhar o contexto maior das situações. Conhecer estratégia é muito diferente de ser beligerante, de querer brigar. É saber escolher as batalhas que valem a pena, saber o tempo e o modo de lutar. Boa sorte.


Créditos:
Redação:  Adriano Ryba.
Revisão e Imagens: Ana Carolina Silveira.
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